Na última terça-feira, enquanto a delegação são-paulina se encontrava em Lima, no Peru, Roberta Rosas estava praticamente só, no Centro de Concentração e Treinamento (CCT) da Barra Funda, ao lado de um ex-jogador do clube. A comissão técnica chefiada por Ricardo Gomes se preparava para o duelo diante do Universitário, pela Copa Libertadores da América. Já a profissional que acumula quase duas décadas de carreira esportiva tratava do atacante Ricardo Oliveira, em processo pós-cirúrgico no Brasil.
Abaixo de um toldo branco, localizado ao lado da sala de imprensa, Roberta aplicava uma série de exercícios ao jogador do Al Jazira, dos Emirados Árabes Unidos, que defendeu a camisa tricolor na temporada de 2006. Lá, naquele espaço, que até meados da década de 1990 era usado apenas para recreação e lazer, atualmente funciona uma importante extensão do Reffis, o famoso núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica.
Precursora do treinamento aquático como atividade multidisciplinar no Brasil, Roberta é contratada do São Paulo e realiza um trabalho único e de vanguarda. Com enfoque na preparação física dentro da água, praticamente revolucionou os procedimentos médicos e hidroterápicos, delineando um trajeto específico para o fitness nacional. Foi ela quem introduziu o conceito de hidrotrainer, presente apenas na agremiação paulista.
"No início era algo mais degenerativo, pós-treino, pós-jogo, aderido também por vários clubes durante aquele período. Hoje, temos outros recursos para recuperação, e muitos acabaram deixando de lado esse trabalho, muitas vezes realizados até pelo próprio preparador físico", explicou Roberta, em entrevista concedida no seu ambiente de trabalho à Universidade do Futebol.
A linha de atuação da educadora física não se prende apenas ao processo de recuperação de esforço intenso, mas também de reabilitação de lesões, no pós-cirúrgico, junto com a fisioterapia: justamente o processo de integração abordado por ela, simbolizado no tratamento de Ricardo Oliveira.
Além de ter criado novas modalidades, como o Hidrospinning, o Deep Running e o Hidrosport, Roberta desenvolveu novos equipamentos esportivos (Hidrobike) e busca aperfeiçoar seus protocolos. O grande problema é a falta de parâmetros.
Se na piscina do São Paulo são realizadas simulações de situações de jogo, envolvendo mudanças de direção, agilidade e flexibilidade, conferindo aos atletas ganho de maior amplitude, com aproveitamento da menor sobrecarga dentro da água, rivais locais, nacionais e até internacionais não se renderem aos proveitos do hidrotreinamento.
"Ao longo dos anos, todos foram percebendo que se tratava de um trabalho sério e efetivo. Na minha piscina, tento transformar o ambiente em algo positivo. Se eles [atletas] têm alegria para jogar futebol, eu tenho alegria de trabalhar na água e fazer com que o atleta saia de lá com grandes benefícios", apontou Roberta.
Ela ainda explicou detalhadamente a funcionalidade de seus exercícios, relembrou o caso empírico do zagueiro uruguaio Diego Lugano e falou como vislumbra o futuro para o hidrotrainer dentro do futebol.