Entrevistas
09/04/2010
Francisco Ferreira, preparador físico do Cruzeiro
Um dos integrantes da comissão técnica fala sobre a estrutura do clube e o futuro de sua profissão
Bruno Camarão

"Ninguém é uma 'ilha', ninguém sabe tudo". A frase que fecha esta entrevista concedida à Universidade do Futebol representa bem a postura do professor Francisco Adolfo Ferreira. Preparador físico do departamento de futebol profissional do Cruzeiro, ele concilia em sua trajetória a experiência real, no convívio com atletas e demais integrantes ligados às Ciências do Esporte, com a base acadêmica, esfera da qual não se desgarrou.

Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ferreira é especialista em Treinamento Esportivo pela Universidade Gama Filho e compôs durante cinco anos o corpo docente da disciplina de futebol da Faculdade Estácio de Sá (MG). Atualmente, coordena pós-graduação nas Faculdades Promove e Funorte. Mas muito antes do desenvolvimento dessas competências já tinha a certeza de que atuaria no futebol.

Chico, como é tratado pelos mais próximos, tem parentes ligados à história da modalidade em Belo Horizonte. Um de seus tios foi preparador físico e técnico das duas maiores forças locais. O outro jogou nas décadas de 1940 e 50 no futebol carioca e também treinou diversas equipes, como Corinthians e Fluminense. Por intermédio do pai, teve a infância delineada com diversas idas ao Mineirão.

No Cruzeiro, agremiação à qual está atrelado há 11 anos, Ferreira tem a parceria dos experientes José Mário Campeiz e Quintiliano Lemos na preparação física do grupo principal. Com integração, respeito e estudo, eles conduzem a equipe celeste às fases decisivas do Estadual e da Copa Libertadores da América.

"Posso dizer que o Cruzeiro foi uma grande escola no sentido de ter permitido a convivência com vários treinadores e preparadores físicos de renome e também a possibilidade de perceber na prática, ao longo desses anos, aquilo que é viável ou não, o que dá certo e o que não dá, de acordo com a cultura do futebol que envolve calendários, grupo heterogêneo de atletas, diferentes escolas, diferenças culturais, aplicabilidade e o casamento entre teoria e prática", explicou.

Dentre outros temas, Ferreira fala sobre as novas perspectivas do clube, o perfil das categorias de base, elaboração de treinamentos e por que acredita que a função de preparador físico não deverá entrar em desuso em futuro próximo.

"Acredito que a função do preparador físico que trabalhe (também) de forma isolada as valências físicas em vários momentos do calendário seja imprescindível. Ainda não creio que se possa atingir níveis ótimos de performance sem treinar na sala de musculação, sem treinar agilidade, resistência de força, etc.".



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